SIMULADOS

1 Simulado ENEM 1º Dia — Linguagens e Ciências Humanas

ENEM - Simulado Completo (TESTE)
Simulado ENEM · Modo Treino

ENEM - Simulado

Linguagens e Ciências Humanas · 90 questões + Redação
Questão 1/90 Acertos: 0
Linguagens Médio
0

Prova concluída

0/45
Linguagens
0/45
Ciências Humanas
0/90
Total de acertos

REDAÇÃO — PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO

TEMA

Desafios para o enfrentamento da desinformação impulsionada por inteligência artificial no Brasil


TEXTOS MOTIVADORES

TEXTO I

Nos últimos anos, ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a produzir, em segundos, textos, imagens, áudios e vídeos praticamente indistinguíveis de conteúdos reais. Esse avanço, que abre possibilidades extraordinárias para a educação, a arte e a ciência, também multiplicou a capacidade de fabricar notícias falsas, discursos forjados e imagens manipuladas — os chamados deepfakes. Diferentemente da desinformação artesanal do passado, que dependia de tempo e habilidade humana, a desinformação sintética pode ser produzida em escala industrial, a custo quase nulo, e distribuída instantaneamente pelas redes sociais. Especialistas alertam que a velocidade de propagação de um conteúdo falso costuma superar em muito a velocidade de sua verificação e desmentido, criando uma assimetria estrutural entre quem mente e quem tenta corrigir a mentira.

(Texto de caráter jornalístico-expositivo, elaborado para fins avaliativos.)


TEXTO II — Dados de pesquisa (elementos motivadores em forma de dados)

Levantamento hipotético conduzido junto a 2.400 brasileiros maiores de 16 anos, com o objetivo de investigar a percepção da população sobre conteúdos gerados por inteligência artificial, revelou os seguintes resultados:

Afirmação Concordam
“Já duvidei se uma foto ou vídeo era real ou gerado por IA” 74%
“Não saberia dizer com segurança se um áudio de uma autoridade pública é autêntico” 68%
“Compartilhei, ao menos uma vez, um conteúdo que depois descobriu ser falso” 41%
“Confia nas próprias habilidades para identificar desinformação” apenas 29%
“Considera a educação midiática insuficiente na escola em que estudou” 81%

(Dados fictícios, elaborados para fins avaliativos, inspirados em pesquisas reais sobre confiança digital.)


TEXTO III

“A verdade, na era digital, não desapareceu — ela precisa competir. Antes, a mentira enfrentava obstáculos: era preciso convencer um editor, custear uma impressão, arriscar uma reputação. Hoje, a mentira sintética não enfrenta gatekeeper algum; ela nasce pronta para viralizar. O problema, portanto, não é apenas tecnológico, mas institucional: sociedades que não desenvolveram anticorpos cívicos — educação crítica, jornalismo independente forte, regulação equilibrada — ficam expostas a uma epidemia de desinformação para a qual não têm resposta imunológica. A questão central deste século não é impedir que a inteligência artificial exista, mas construir, ao seu redor, uma cultura de verificação, transparência e responsabilidade compartilhada entre plataformas, governos, escolas e cidadãos.”

(Fragmento de ensaio sobre epistemologia digital, adaptado e elaborado para fins avaliativos.)


TEXTO IV

O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) estabeleceram no Brasil os primeiros grandes marcos regulatórios do ambiente digital, tratando de temas como neutralidade de rede, privacidade e responsabilidade de provedores. Contudo, nenhuma dessas leis foi concebida tendo em vista os desafios específicos da inteligência artificial generativa, hoje capazes de produzir conteúdo sintético em massa. Projetos de lei que buscam regular especificamente o uso de IA no Brasil tramitam no Congresso Nacional, propondo desde a obrigatoriedade de rotulagem de conteúdo gerado artificialmente até a responsabilização de plataformas que não implementarem mecanismos de verificação. O debate legislativo, no entanto, esbarra em tensões conhecidas: como regular sem cercear a inovação, a liberdade de expressão e o acesso à informação?

(Texto de caráter informativo-jurídico, elaborado para fins avaliativos.)


PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para o enfrentamento da desinformação impulsionada por inteligência artificial no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções: - O texto deve ter entre 7 e 30 linhas, redigido no espaço próprio da folha de redação. - A redação que apresentar cópia dos textos motivadores ou do enunciado da proposta em seu corpo, ou que fugir ao tema, ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo, receberá nota zero.


COMPETÊNCIAS AVALIADAS (Matriz de Referência para Redação do ENEM)

Competência I — Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Competência II — Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Competência III — Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência IV — Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência V — Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.


POSSÍVEL PROJETO DE TEXTO (roteiro sugerido)

Introdução: Contextualizar o avanço da inteligência artificial generativa e sua dupla face — ferramenta de inovação e vetor de desinformação em escala. Apresentar a tese: o enfrentamento da desinformação sintética no Brasil exige resposta articulada entre educação, regulação e responsabilidade das plataformas.

Desenvolvimento 1: Discutir a fragilidade da educação midiática e do pensamento crítico como fator que amplia a vulnerabilidade da população brasileira (repertório: dados do Texto II; conceito de “letramento digital”; possível referência a desigualdades educacionais regionais).

Desenvolvimento 2: Discutir a lacuna regulatória e a assimetria de responsabilidade entre quem produz/distribui conteúdo sintético e quem sofre suas consequências (repertório: Texto IV — Marco Civil, LGPD, projetos de lei sobre IA; conceito de “gatekeeper” do Texto III; comparação com outras experiências regulatórias, como a União Europeia, se pertinente).

Conclusão: Retomar a tese e apresentar proposta de intervenção detalhada — ação, agente, meio/modo, finalidade e detalhamento —, articulando pelo menos duas frentes (educacional e regulatória/institucional).


MODELO DE REDAÇÃO NOTA 1000

Título: Verdade em disputa: a desinformação sintética e seus antídotos possíveis

A produção de conteúdos falsos não é fenômeno recente na história humana; o que mudou, na era da inteligência artificial generativa, foi a escala. Textos, imagens e vídeos sintéticos, hoje gerados em segundos e a custo quase nulo, tensionam a already frágil relação entre os brasileiros e a informação verificável. Diante desse cenário, torna-se urgente compreender que o enfrentamento da desinformação impulsionada por IA no Brasil depende da articulação entre educação midiática consistente, regulação equilibrada e responsabilização efetiva das plataformas digitais — pilares hoje insuficientemente desenvolvidos no país.

Em primeiro lugar, é inegável que a formação crítica da população brasileira ainda não acompanha a velocidade das transformações tecnológicas. Como evidenciam dados de pesquisas sobre o tema, grande parte dos cidadãos reconhece dificuldade em distinguir conteúdo autêntico de conteúdo sintético, e parcela significativa admite já ter compartilhado, sem saber, informações falsas. Esse cenário revela uma escola que, historicamente, priorizou a decodificação da leitura sobre a interpretação crítica de imagens, vídeos e algoritmos — habilidades hoje indispensáveis para a cidadania digital. Sem investimento estruturado em letramento midiático desde a educação básica, a população segue exposta a um ecossistema informacional hostil, no qual a mentira sintética compete em pé de igualdade — ou em vantagem — com a verdade apurada.

Ademais, a legislação brasileira, embora tenha avançado com marcos como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, não foi concebida para lidar com os desafios específicos da inteligência artificial generativa. Enquanto o Congresso Nacional debate projetos de lei sobre rotulagem de conteúdo sintético e responsabilização de plataformas, a ausência de um marco regulatório definitivo mantém o país em zona cinzenta: empresas de tecnologia não são plenamente responsabilizadas pela circulação de desinformação em suas redes, e cidadãos lesados por conteúdos forjados enfrentam dificuldade de reparação. Tal lacuna evidencia que a inovação tecnológica, quando não acompanhada de instituições robustas, produz vulnerabilidade coletiva — um risco à própria democracia, que depende de um debate público minimamente ancorado em fatos.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais de educação, implemente, já no ano letivo seguinte, um currículo transversal de letramento midiático e digital na educação básica, com formação continuada de professores e materiais didáticos que ensinem, na prática, a verificar fontes, reconhecer conteúdo sintético e compreender o funcionamento de algoritmos — por meio de oficinas e projetos interdisciplinares nas escolas públicas e privadas de todo o país. Paralelamente, cabe ao Congresso Nacional aprovar, com celeridade, marco regulatório específico para a inteligência artificial, exigindo rotulagem obrigatória de conteúdo sintético e responsabilização solidária das plataformas que não adotarem mecanismos eficazes de moderação, sempre resguardando a liberdade de expressão. Somente a ação conjunta entre escola, Estado e empresas de tecnologia poderá reequilibrar a disputa entre verdade e mentira na era digital.


CRITÉRIOS COMPLETOS DE CORREÇÃO

A redação é avaliada em cada uma das 5 competências, em uma escala de 0 a 200 pontos por competência, totalizando de 0 a 1000 pontos.

Competência I — Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa

Nível Pontuação Descrição
5 200 Excelente domínio da escrita formal, com poucas falhas gramaticais (mesmo que de digitação), sem impacto na compreensão.
4 160 Bom domínio, com poucas falhas gramaticais.
3 120 Domínio mediano, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita.
2 80 Domínio insuficiente, com muitos desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita.
1 40 Domínio precário, com traços constantes de oralidade e desvios gramaticais que comprometem a leitura.
0 0 Desconhecimento da modalidade escrita formal.

Competência II — Compreensão da proposta e aplicação de conceitos das áreas de conhecimento

Nível Pontuação Descrição
5 200 Desenvolve o tema com consistência, a partir de repertório sociocultural produtivo (não meramente reproduzido dos textos motivadores) e apresenta estrutura dissertativo-argumentativa excelente.
4 160 Bom desenvolvimento do tema, com repertório sociocultural pertinente e boa estrutura argumentativa.
3 120 Desenvolvimento mediano, com repertório baseado nos textos motivadores ou pouco produtivo.
2 80 Abordagem tangencial ao tema ou desenvolvimento insuficiente, com estrutura argumentativa fragilizada.
1 40 Traços de fuga ao tema ou desenvolvimento incoerente com a estrutura dissertativo-argumentativa.
0 0 Fuga ao tema ou não atendimento à estrutura dissertativo-argumentativa (nota zero na redação).

Competência III — Seleção, organização e interpretação de informações e argumentos

Nível Pontuação Descrição
5 200 Projeto de texto estratégico e autoral, com informações, fatos e opiniões organizados em defesa clara do ponto de vista, com progressão e articulação consistentes entre as partes.
4 160 Boa organização das informações, com progressão adequada.
3 120 Organização mediana, com indícios de projeto de texto, mas com falhas de progressão.
2 80 Presença de informações pouco relacionadas entre si ou repetitivas, prejudicando a defesa do ponto de vista.
1 40 Organização precária, com incoerências que comprometem a defesa do ponto de vista.
0 0 Ausência de organização das informações.

Competência IV — Mecanismos linguísticos de argumentação (coesão)

Nível Pontuação Descrição
5 200 Articula as partes do texto com repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações.
4 160 Boa articulação, com poucas inadequações e repertório diversificado de conectivos.
3 120 Articulação mediana, com uso repetitivo ou pouco diversificado de conectivos.
2 80 Articulação insuficiente, com poucos recursos coesivos e inadequações frequentes.
1 40 Articulação precária das partes do texto, com repertório mínimo de conectivos.
0 0 Ausência de articulação entre as partes do texto.

Competência V — Proposta de intervenção

Nível Pontuação Descrição
5 200 Proposta clara, detalhada, exequível e articulada à discussão, contemplando os cinco elementos: ação, agente, modo/meio, finalidade e detalhamento, todos relacionados ao respeito aos direitos humanos.
4 160 Proposta com quatro dos cinco elementos, bem articulada ao texto.
3 120 Proposta com apenas três elementos, ou pouco detalhada.
2 80 Proposta vaga, com um ou dois elementos, pouco relacionada à discussão.
1 40 Proposta tangencial ou desarticulada do texto.
0 0 Ausência de proposta de intervenção, ou proposta que desrespeite os direitos humanos (nota zero na competência).

Nota final: soma das cinco competências (0 a 1000 pontos). Redações que se enquadrem em situações de anulação (fuga ao tema, não atendimento ao tipo textual, desrespeito aos direitos humanos, texto insuficiente com menos de 7 linhas, cópia integral dos textos motivadores, entre outras previstas no manual do participante) recebem nota zero.

Postagem Anterior Próxima Postagem